17 Mar
17Mar

As recentes disputas comerciais entre Estados Unidos e China têm impactado significativamente o mercado global de commodities agrícolas, especialmente o da soja. Com a imposição de tarifas adicionais sobre produtos agropecuários norte-americanos, a China tem buscado fornecedores alternativos, destacando-se o Brasil como principal beneficiário dessa mudança. Essa nova dinâmica elevou os prêmios da oleaginosa para exportação nos portos brasileiros, tendência que, segundo analistas, deve se manter nos próximos meses.

No porto de Paranaguá (PR), um dos principais pontos de escoamento da soja brasileira, o prêmio de exportação atingiu 85 centavos de dólar por bushel para embarques em março, o maior valor desde 2022. Esse aumento expressivo, de 70% em relação à semana anterior, reflete a intensificação do conflito comercial entre as duas maiores economias mundiais e a consequente maior demanda pela soja brasileira.

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) destaca que essa maior procura está diretamente ligada às tarifas impostas pela China sobre produtos agropecuários dos EUA, incluindo uma taxa adicional de 10% sobre a soja. Essa medida torna o produto norte-americano menos competitivo, levando os compradores chineses a buscarem alternativas na América do Sul, especialmente no Brasil, maior produtor e exportador mundial da oleaginosa.

Essa conjuntura beneficia diretamente os produtores brasileiros, que veem seus produtos valorizados no mercado internacional. Além dos prêmios elevados, a desvalorização do real frente ao dólar torna a soja brasileira ainda mais atrativa para os importadores. No entanto, essa mesma valorização pode pressionar os custos para as indústrias nacionais que dependem da soja como matéria-prima, como as de ração animal e biodiesel.

Analistas acreditam que, enquanto persistirem as tensões comerciais entre China e Estados Unidos, o Brasil continuará a se beneficiar desse cenário. Entretanto, é essencial que o país esteja atento às possíveis variações na demanda e nos preços internacionais, garantindo a sustentabilidade e a competitividade de sua cadeia produtiva de soja no longo prazo. 

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