A consultoria AgRural reduziu a estimativa da safra de soja brasileira 2024/25 para 165,9 milhões de toneladas, um corte de 2,3 milhões em relação à projeção anterior. O ajuste reflete principalmente os impactos do clima quente e seco no Rio Grande do Sul, onde a produção foi revisada para 15 milhões de toneladas — três a menos do que o previsto anteriormente. A falta de chuvas comprometeu o desenvolvimento das lavouras, resultando em grãos leves, pequenos e deformados, com risco de novas perdas.
Apesar das dificuldades no Sul, a produção nacional segue robusta e deve superar o recorde histórico de 155,7 milhões de toneladas colhidas em 2022/23. O bom desempenho de Estados como Mato Grosso — que elevou sua previsão para 49,5 milhões de toneladas — sustenta o otimismo do setor. A produtividade recorde, aliada à ampliação da área plantada, fez com que o Estado ultrapassasse, inclusive, a estimativa da colheita argentina, tradicionalmente a terceira maior do mundo.
Outros Estados também se destacaram, como Goiás, que ultrapassou o Rio Grande do Sul e assumiu a terceira colocação no ranking nacional com 20,1 milhões de toneladas. O Paraná, mesmo com tempo irregular, deve colher 21 milhões. A colheita avança em ritmo acelerado: até a última quinta-feira, 77% da área plantada já havia sido colhida, superando os 69% do mesmo período de 2023 e os 67% da média histórica.
No caso do milho, a AgRural elevou levemente a estimativa da safra total para 121,8 milhões de toneladas, refletindo ganhos de produtividade no milho verão. A segunda safra, que representa cerca de 75% da produção nacional, segue estimada em 87,9 milhões de toneladas. Porém, o clima continua sendo um fator de atenção, principalmente nos Estados do centro-sul, com exceção de Mato Grosso, onde as chuvas foram mais regulares.
Com a colheita da soja se aproximando do fim e o milho segunda safra já todo plantado, o mercado volta os olhos para o comportamento do clima nas próximas semanas. Ainda que o cenário exija cautela, o Brasil segue consolidado como líder global na produção e exportação de soja, mostrando a força e a resiliência do agronegócio nacional diante dos desafios climáticos.